A MELHOR ESTRATÉGIA É SABER MUDAR DE ESTRATÉGIA
MINTZBERG, Henry; AHLSTRAND, Bruce; LAMPEL, Joseph. Safári de Estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2000. 299p.
(Resenha por: Tiago Mota da Silva Pereira)
Tente sentar-se à frente de uma praça e descrevê-la minuciosamente.
Você observa por alguns instantes e nota que, em um banco no lado direito da praça, há um casal de namorados, e, subindo a calçada pelo lado direito, há um garoto sobre um skate, entre vários outros detalhes observáveis. Então você baixa os olhos para iniciar suas anotações e, assim que os levanta novamente, descobre que o casal que antes estava no banco agora está comprando pipocas, e que o garoto no skate já está do outro lado da praça. Se tentar alterar suas anotações, quando novamente olhar a praça tudo estará diferente mais uma vez. É um trabalho sem fim.
Descrever uma estratégia não é diferente de descrever o que acontece em uma praça. Nenhuma empresa vai parar para você fazer as suas anotações, nem vai se preocupar se a próxima decisão pode obrigá-lo a reescrever tudo.
Mas há os bancos, as calçadas, os postes e placas, que estão sempre lá. Eles mudam também, mas numa velocidade tal que nos permite descrevê-los com mais conforto.
Valendo-se dessa analogia, podemos entender que não há como estudar estratégia de outra maneira que não a forma apresentada pela Escola de Configuração. Por um motivo muito simples: ela, em síntese, é capaz de indicar que estilo de estratégia utilizar em determinada situação – utilizando as qualidades que há em todas as outras. Ela sugere que separemos as organizações por tipos – e que separemos a estratégia por tempo.
A única informação que podemos ter como certa é que tudo vai mudar, e cada vez mais rápido. A transformação é, hoje, a grande estratégia emergente presente em qualquer indústria, algo a ser considerado por qualquer executivo.
Assim, como nos ensina a Escola da Configuração, os autores deveriam, ao perceber que sua bela intenção estava se perdendo em explanações demasiado longas, tentar uma transformação do livro em algo que, além de didático, fosse, também, agradável de ler. O próprio resumo realizado por dois dos mesmos autores é um exemplo bastante bom de como isso poderia ser alcançado. Afinal, complementando o título desta resenha, a melhor estratégia é saber quando mudar de estratégia.
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